terça-feira, 1 de maio de 2012

29/04 : Uma data que eu vou guardar pra sempre : CHECK PILOTO PRIVADO

Eu poderia definir esta data como o final de uma jornada, mas pensando melhor, este foi apenas o final da primeira fase e que fase longa... 1 ano e 2 meses voando em busca das 35 horas...


Comecei esse blog com o intuito de fazer um pequeno diário sobre como é a rotina de um estudante de aviação, mas pelo jeito foi mais do que isso, esse blog além de diário, se tornou um álbum de recordações... não com fotos, mas com lembranças, dos amigos que eu fiz, dos instrutores que me ensinaram a voar. Se daqui a uns 30 anos a internet ainda existir e o Blogger continuar este serviço, este blog será um que irei mostrar para meus filhos e netos...

Deixando o sentimentalismo de lado, Aqui no Aeroclube temos dois checadores, que não dispõe de todo o seu tempo livre para checar os alunos, pois ambos são pilotos da aviação executiva, portanto, sempre estão em algum tipo de "missão". Foi uma grande novela marcar a data final do check por causa disso, mas com paciência, acabei conseguindo um horário em pleno domingo.

No dia anterior "pernoitei" na casa do Israel Caetano, estávamos lá fazendo alguns voos em formação no Flight simulator e prontamente o chamei para me acompanhar, chamei também o Vinycius Costa e o Carlinhos, porém ambos não poderiam fazer companhia, pois cada um tinha suas ocupações.

Chegando em Luziânia encontro o PP-KBU fazendo um circuito, já estranhei pois me falaram que o mesmo estava em inspeção, na verdade houve uma inversão ai, o KBP estava voando, porém deu uma pane no filtro de óleo e o KBU já assumiu o lugar, melhor pra mim, pois preferi fazer este voo de check numa aeronave com manche do tipo "bastão", preferência minha mesmo.

Antes do meu voo porém, o Diego Pablo, que checou seu INVA, estava lá com um primo que tinha chegado de longe, para fazer um voo junto com ele no KBU, enquanto isso eu e o Israel almoçavamos, ouvindo a fonia. Logo após uma hora mais ou menos o KBU pousa e lá vai eu fazer a inspeção...com o "temível" checador...


Porém fui percebendo que eu estava, na verdade, em mais um voo de instrução qualquer...a única diferença... é que eu tinha que mostrar ao checador o que eu sabia. Pois era um voo que como o nome diz, era de Check de experiência.

Lia em voz alta o checklist de acionamento, porém na hora de acionar, o botão de partida, não queria colaborar, apertava e nada de hélice girar, chequei novamente mistura rica, magneto esquerdo ligado, chave geral ligada, seletora no tanque mais cheio, e tentei de novo, mesmo assim nada e só depois que eu fui ver que o botão tava com uma espécie de mal contato, pressionei outra vez e lá vai a hélice rodando.

Acionamento normal, coordeno na livre e aceno pro Israel que estava sentado em um banco ao lado do restaurante, a cabeceira em uso para meu check seria a 29, porém a biruta parecia indecisa, ora apontava 29, ora apontava 11, todos os check´s normais e alinho na cabeceira em uso.

Manete de potência toda a frente e vou correndo na pista, mais uma decolagem como qualquer outra, tiro o pneu do trem da bequilha na taxiway central e vou subindo com 80MPH, padrão do checklist, afinal eu estava sendo avaliado, porém o clima de distração me deixou mais calmo...conversávamos normalemente.

Ao nivelar na área de instrução com 5500 pés a primeira manobra que ele me pede é a coordenação de primeiro tipo, já estava com ela na minha cabeça e alinhei minha proa com um dos braços do Lago Corumbá e começo o Ziz-zague de asa, nunca tinha saído tão certo como o desse voo.

Nivelo as asas e inicio a de segundo tipo...porém o horário do voo não tava me ajudando muito, eram 12:00, horário em que a atmosfera ta turbulenta...e cheio de térmicas, balançando o avião pra lá e pra cá, subindo e descendo...

Pego a proa W (270) e o checador tira a força do motor do KBU : PANE!!! fui cantando cada procedimento: abaixei o nariz pra 85MPH e comecei a procurar uma área pra pouso, parecia que Deus tinha me colocado no lugar certo, pois a minha esquerda tinha um campo que parecia ter até um ALS (aquelas luzes de cabeceira tipo a de Brasília) de tão claro e perfeito que estava, um campo verde.

Primeiro dente de flape, perco mais alguns pés de altura, "arrio" o segundo e ele pede a arremetida, certinho com a proa N (360) na bússola pra voltar pra Luziânia... 


Ingresso na perna do vento da 29 e o checador pede uma aproximação de 180... efetuo o check pré pouso e após o través da cabeceira, corto o motor e inicio a perna base apenas planando, coloco o primeiro dente e vou voando ao mesmo tempo que vou perdendo altura e curvo a esquerda para pegar a final. Pouso garantido, flape 40 (segundo dente) e o toque seguro na cabeceira, inicio a arremetida nervoso e um pouco enjoado, pois tinha acabado de almoçar e fui voar num horário daqueles...

E a última manobra... um 360° sem motor...subindo pra 4800 pés, perna base e na vertical da cabeceira, corto o motor e inicio um giro completo e termino com a pista na minha frente. Após o toque já com o coração batendo mais forte, livro a 29, recolho flape e desligo farol e o checador me fala em outras palavras, mas o significado foi um só: "Aprovado!! Continue sua jornada..."

Levo o KBU para o pátio e me direciono ao tanque, pois apesar do meu check ainda tinham vários alunos pra voar... e encontro o Israel lá me esperando e acenando pra mim. Faço o cheque de abandono e o checador desse e ele o aborda perguntando: "E ai, ele passou?" e o checador logo responde, Aprovadíssimo!!!

Eeeita sensação boa viu?

Agora é esperar um pouco, enviar a papelada pra Anac e aguardar a CHT chegar... enquanto isso to adiantando a de carro, pra ver se aumento um pouquinho mais meu salário rsrs. Por enquanto o blog vai ficar um pouco parado, mas qualquer novidade, ou melhor...qualquer Causo, estarei postando por aqui, aqui vai meu muito obrigado por vocês leitores, que acompanharam toda essa minha trajetória!!

Um grande abraço e qualquer coisa estou disponível no face ou no msn!!

terça-feira, 3 de abril de 2012

Caldas Novas! Terra das aguas quentes e...dos Toques e arremetidas!!

Ta acabando, ta acabando! Este sábado agora, exatamente no dia 31 fiz a última navegação do programa de instrução do Aeroclube de Brasília. E o destino não poderia ser mais especial : Caldas Novas - GO que é conhecida por suas estâncias hidrotermais e os melhores parques aquáticos do Brasil e que fica a 297 KM (Caraca!!!) de Brasília.



Claro...isso é informação pra sua tia que gostaria de visitar a cidade e como este é um blog com "causos de aviação" fica melhor informar a proa e distância pra lá :  95 milhas com proa 224, decolando da 11 com saída de circuito pela perna do vento desta cabeceira.



Dessa vez tive que ir sozinho pra Luziânia, o praticamente checado Filizola, tinha ido para Formosa com o Arthur pra começar a se aventurar com os planadores, girando térmicas por lá, confesso pra vocês que estou tentado a começar a "voar a vela" sem precisar usar headset ou abafadores de ruído. Além de que segundo o manual do Puchacz (Planador de instrução) se trata de um planador acrobático!!



Chegando no Aeroclube encontrei um colega dos tempos do curso teórico, o Gibran, que fez sua transferência do Aeroclube de Uberlândia e veio pra cá pra voar o PA-18 PP-GJI já que ele voava também uma aeronave com trem convencional por lá : O Saudoso Aeroboero!!

Quando finalmente o PP-KBU chegou do seu voo de instrução já fui indo para o pátio para fazer a rotineira inspeção externa, porém ainda tive que esperar mais um pouco pois ele seria reabastecido para minha navegação (Em voos de navegação aqui no Aeroclube de Brasília, você sai com tanque cheio.). Abastecimento concluído e o Brian já estava esperando a conclusão da inspeção. Inspeção feita e vamos pro acionamento.

Neste voo baseado em meus cálculos iriamos voar com uma velocidade de cruzeiro de 85 kt e faríamos o percurso em 01h10 min com referências visuais no través da Fazenda Surucucu as margens do Rio Corumbá, a cidade de Orizona - GO, depois o través de Pires do Rio - GO e finalmente Caldas Novas.

O vento naquele momento fez com que minha escolha de pista fosse a 11, sem muitos problemas iniciamos a decolagem com 1 dente de flape, tirei o Uirapuru do chão com 65 mph e acelerei para 80 mph como diz o manual. Após 200 pés recolhi o flape e desliguei o farol de pouso e com 500 iniciei uma curva a esquerda para a perna do vento da 11.

Eu: Coordenação Luziânia, o KBU decolado da 11, ingressa na perna do vento para livrar circuito com proa de Caldas Novas no nível 055.
Enquanto subiamos para o nível que eu escolhi eu e o Brian iamos conversando sobre GPS, marcas, tamanhos e outras coisas. Nisso olho pro meu lado e vejo várias formações de Cumulus e mais na frente na nossa proa, uma Cumulus desabando uma fina camada de chuva, e resolvemos nos "molhar" um pouquinho, tava ficando frio e em pouco menos de 1 minuto ja estavamos fora da chuva e logo após uma maravilhosa vista : Praticamente cavok até Caldas Novas e como estavamos nivelados, nada melhor do que um bate papo sobre vários assuntos, porém com um problema... os outros tráfegos ao redor também estavam conversando...e pior! Na frequência livre!!

E não sei se todo mundo sabe, mas se dois ou mais começarem a "falar" no rádio, emite-se um beep muito irritante, você já está com o fone bem alto pra poder ouvir e entender os outros trafegos de repente você ouve um BEEEEEEEEP no seu ouvido... é de matar!

Com visual de Caldas Novas peço ao Brian para que me concedesse o privilégio de fazer um sobrevoo no bairro da minha avó que fica um pouco afastado da cidade, e com resposta positiva ingressei na perna do vento da 09 para o primeiro toque e arremetida.

De piloto virei um guia turístico, pois conhecia aquela cidade com a palma da minha mão e fui apresentando vários locais que nossa vista pudesse enxergar como o lago Corumbá que em Caldas todo mundo chama de "Cavalo de Fogo" e bem abaixo de nós, os melhores clubes da cidade : Di roma, Sesc e outros. De longe avistei um ginásio que fica próximo ao bairro onde minha vó mora.

Final da 09 de Caldas Novas, Cheque Pré pouso feito com 1 dente de flape, aplico o 2° e miro na "marca dos 1000 pés " mantendo as luzes do PAPI duas vermelhas e duas brancas como neste exemplo abaixo!



PAPI vem da sigla Precision Approach Path Indicator, algo como indicador de rampa de aproximação, pois então, como saber se estou na rampa ou não? Simples, vejam este diagrama :



4 Luzes Vermelhas : Muito abaixo da rampa
3 Vermelhas e uma Branca : Um pouco abaixo da rampa ideal
2 Vermelhas e duas Brancas : Na rampa ideal
1 Vermelha e três brancas : Um pouco acima
Quatro luzes brancas : Muito acima da rampa

Vim um pouco rápido na aproximação e por isso acabei tocando um pouco além da marca dos 1000, mas...pista é pra ser usada! Encho a mão na manete e recolho um dente de flape acelerando para a arremetida, tiro o KBU do chão e ingresso na perna do vento novamente, porém não ia fazer outro toque e arremetida, anunciei que ia fazer um sobrevoo no setor noroeste (aproximadamente onde fica o bairro da minha avó)

Comecei a procurar as referencias e fui seguindo a avenida mantendo aproximadamente 1000 pés de altura. Perdi a referência, porém logo quando eu achei a rodoviária da cidade pensei...Estou em casa!! Achei o bairro porém como estava alto e rápido acabei perdendo novamente. Como a Serra de Caldas estava na minha proa iniciei uma curva a esquerda procurando um campo de futebol, quando achei nivelei as asas e comecei a fazer uma coordenação de primeiro tipo como se estivesse dando um tchau! E o melhor de tudo é que minha vó estava na rua na hora e sabia que eu ia fazer uma passagem por lá!!

Me senti muito bem fazendo isso, porque era uma coisa que eu sempre quis fazer, quando eu passava as férias na casa da minha vó quando menor via os aviões passar e pensava...será que um dia eu vou estar ali passando em cima da cidade?? ÉÉ leitores... foi uma sensação bacana...

Livrando a vertical do bairro da minha vó já poderia "imendar" uma aproximação direta e faço mais um toque e arremetida e pego a proa pra Luziânia deixando pra trás a cidade que eu passei minha infância. Na volta o instrutor acabou dando um cochilo rápido, mas depois que começamos a conversar de novo ele despertou...

Já era mais de 17:40 da tarde quando passamos a vertical de Pires do Rio e o por do sol estava estimado para as 18:20 (2120z) e resolvemos dar um pouco mais de motor para agilizar a chegada e bem em tempo...pois chegamos faltando 5 minutos pro por do sol hehehe



Com isso acabaram-se as navegações, faltando apenas fazer o voo de repasse (que é uma espécie de "pré-check") e marcar o voo de check e espero que até semana que vem eu já esteja com ele marcado, qualquer novidade postarei lá no meu facebook!!

Obrigado pela leitura (:







segunda-feira, 26 de março de 2012

Primeiro "Navega", Toque e arremetida em Goiânia e em Anápolis.

Até que enfim cheguei na parte do curso que eu mais tinha vontade de chegar, onde você para de "dar a volta no quarteirão de bicicleta e começa a andar na rua", sim senhores, ontem dia 25/04/12 fiz minha primeira navegação visual e estimada no PP-KBU, sendo um toque e arremetida em Goiânia e outro em Anápolis, sendo que fui controlado pelo APP Brasília, APP Anápolis e TWR Goiânia (que até me vetorou) e coordenando na Frequência livre.



E para uma boa navegação, sempre temos que ter antes de voar, um bom planejamento, seja plotando fixos nas cartas WAC (World Aeronautical Chart), fazendo cálculos de Proa Verdadeira, Magnética, tempo em rota e entre fixos, como também mentalmente, além é claro, de acompanhar a meteorologia, para você piloto poder saber se as condições em rota são apropriadas para o voo visual. E como prometido no último post, quero compartilhar com vocês o método básico.

(Melhor visualizado quando clicado) 

Usarei aqui o excelente site planodevoo.net, para demonstração, porém para fins de aprendizado, tenham em mãos a carta WAC da area em que você vai navegar. Neste site ele já dá a distância e o rumo MAGNÉTICO, que você deverá manter em rota. Um método simples de calcular quanto tempo você vai gastar em rota é você pegar a distância (no caso 76 milhas) multiplicar por 60 e dividir pela sua velocidade em rota.

Exemplo: Uma aeronave que vai fazer esta rota numa velocidade de 85 kt (desconsiderando velocidade e tempo de subida)

76 milhas X 60 / 85 = 00:54 min (vai dar um número muito doido, mas considere apenas os primeiros 4 digitos e arredonde para cima caso dê mais de 60 segundos).

Bastante importante também é definir pontos visuais em rota e fazer o calculo do tempo entre esses "fixos" assim como no cálculo do tempo em rota. Por exemplo, nesta navegação para Goiânia, temos ótimas referências como vocês podem ver na carta, como após a decolagem de Luziânia, temos a represa de Corumbá IV, depois você deverá passar entre as cidades de Mocambinho e Leopoldo de Bulhões, facilmente vista do alto, minutos depois você já enxerga Anápolis e mais ao fundo a cidade de Goiânia.

Neste meu voo, após a decolagem atingindo aproximadamente 5000 pés chamei o Controle Brasília em 119.50. que me passou um código transponder (0513 se não me falha a memória) e autorizou minha ascensão ao nível 065. Quando eu nivelei parecia que o mundo tinha parado, ja dava pra ver Anápolis e o começo de Goiânia, e tudo se movendo lentamente, várias cumulus no caminho e fiz questão de atravessar algumas de pouca espessura, apenas pra sentir minha velocidade em relação a elas.




Chegando no través de Anápolis transferimos para o Controle Anápolis em 119.15 e solicitamos o toque e arremetida em Goiânia e me impressionei, por eu ser o "número 5" pra pouso em Goiânia, então o Brian pediu para eu reduzir para 85 mph aproximadamente e um dente de flap, mantendo o 065, até que ele pediu a descida para 4500 e proa de um morro que eu esqueci o nome. Chegando em Goiânia, transferimos para a Torre Goiânia em 118.70 que pediu pra reportar no ponto médio da pista para ingresso na perna base da 14. Nesse momento tinha um Airbus da TAM no ponto de espera, aguardando o pouso de um Seneca (se eu não me engano da SETE) e o meu pouso.



TWR Goiânia: PP-KBU, visual com tráfego as suas 11h, aeronave tipo PA-34 na final da 14?

Eu: Afirmo, visual com o tráfego, KBU

TWR Goiânia: Ciente, KBU ingressa na perna base logo atrás da aeronave, aguardando a mesma livrar a 14 o KBU

Eu: Ciente, ingressa na base da 14, aguardando o tráfego livrar a ativa, KBU.

Enquanto eu mantinha meus 90mph para um pouso em flap o seneca ja tava lá na frente e o pobre do TAM com seus sei lá quantas centenas de passageiros esperando o Zarapinha pousar na 14.

TWR Goiânia : KBU, vento (esqueci...) com tantos nós, toque e arremetida autorizado QNH 1018.

Eu: Ciente, toque e arremetida autorizado o KBU

O Brian me cobrou um pouso lambido na 14, mas a pista de lá é muito ondulada, foi um pouso bacana, mas normal digamos assim, arremeti e cometi uma "gafe" digamos assim.

Eu: Torre Gôiania, o KBU tocou e arremeteu na 14 de Goiânia.

E o Brian falando, Oooou, você ta louco? Tu não ta em Luziânia não kkkkk ele ta te vendo.

TWR Goiânia: Ciente KBU, chame o controle Anápolis em 119.15

Eu: 119.15 o KBU

Chamamos e solicitamos proa do civil de Anápolis para um toque e arremetida, o qual foi autorizado no nível 055. Chegando lá descobrimos que estava havendo lançamento de parquedistas e já estavamos na longa final da 07 de Anápolis e tivemos que fazer dois 360 pra aguardar e nem para o colega avisar que os paraquedistas já estavam em solo.



Nesse pouso eu caprichei, pouso com flap full e uma arremetida americana e tinha um Tupi da Golden Wings no ponto de espera, que viu de pertinho e lá vamos subindo para a proa 100° de volta pra Luziânia. Chamamos o Controle Anápolis novamente e apenas autorizou nossa ascensão para o 055 com proa de Luziânia. Alguns 20 min depois transferimos para o Controle Brasília e pediu para reportar visual com Luziânia e pronto para descida.

Eu: Controle Brasília é o PP-KBU, no nível 055 visual com Luziânia e pronto para descida.

APP BSB: Ciente KBU, nenhum tráfego a reportar no setor, coordene na livre 123.45

Eu: Frequência livre, o KBU.

Fizemos uma longa final na 11 de Luziânia, e livramos na interseção, recolhendo flap e desligando farol de pouso e vejo de longe o Filizola, a Caliane (que foi com a gente esse final de semana) e outras pessoas, prontas para ir almoçar num restaurante qualquer.

Apenas sei que aprendi bastante nessa navegação e pena que no programa de PP só tenha 3 para se fazer, porém no PC, todas as horas praticamente são navegações pra tudo quanto é canto. Galera, espero que tenham gostado deste "mini-tutorial" e semana que vem devo ir pra Paracatu - MG e podem ter certeza que terão outro relato por aqui!!!

Grande Abraço!

sexta-feira, 23 de março de 2012

Zarapinha Operations ;D

Meus amigos, desculpem a falta de postagens, mas com trabalho, faculdade e as navegações que faltam para eu finalmente marcar meu voo de check que devo marcar para o dia 07/04/12, está meio complicado trazer os velhos "CAUSOS" para vocês leitores (Aviadores, estudantes de aviação, ou público em geral).

Mas para não dizer que só vim aqui escrever esta nota, compartilho com vocês um vídeo feito pelo meu amigo Diego Pablo, nosso novo instrutor no Aeroclube de Brasília com a sua possante câmera GO PRO, fazendo belas tomadas de nossos amigos (Inclusive eu , rs)

Se possível vejam em HD e em tela cheia (:

Esse final de semana vou fazer minha primeira navegação pra Goiânia, vou tentar filmar e vou publicar aqui no blog o passo a passo para se fazer uma boa navegação baseada em referências no solo e cálculos estimados de tempo.

PS: Eu apareço em 2:20 no Fake catrapo, que admitam, foi um pousinho bacana, nem deu pra sentir o toque do  avião no solo vai (:

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Uma noite de "trollagens" e aproximações altas

Agora, o melhor programa de final de semana é me "hospedar" no alojamento dos alunos do aeroclube de Brasília, onde você faz novos amigos, ouve histórias e ainda sai pra comer uma boa pizza ou sanduíche. E nesse final de semana não foi diferente, o André que já virou praticamente um morador e não hospede, fez seu voo check na semana passada com direito a banho de óleo e tudo, 
 Filizola, que cada voo chega mais perto do seu voo solo e consequentemente seu check e o Daniel "Aracaju" que será o próximo instrutor no PA18. (PT-GJI)

O Athos ( Um dos colunistas do Canal Piloto ) iria também, mas ele acabou perdendo o horário, dormindo até as 14:00 , 4 horas a mais do nosso combinado que era as 10:00 na rodoviária, onde acabei ficando até as 11 esperando, mas ok, dormir é uma delícia.

Chegando lá, encontro o Brian já embarcando no seu escort e me chamando pra um "voo de saco" noturno que haveria vários "bate e volta" entre Brasília e Goiânia iniciando as 23:00 indo pela madrugada a dentro e acreditem, pela primeira vez eu RECUSEI um voo de saco, mas por uma boa causa, eu teria um voo as 7:00 do outro dia e não teria garantia de que voltaria pra Luziânia as 03:00 da manhã caso eu fosse voar com eles.

Encontrei o Filizola na inspeção interna do PP-KBP e resolvi falar com ele apenas após o voo, pois eles já estavam no acionamento, e encontrei o Diego Pablo, que após vários meses de luta e paciência conseguiu sua CHT de PC e foi aprovado na banca de INVA, faltando agora voar as horas no assento direito do Uirapuru. Mais tarde almoçamos e acabei não voando, mas a noite estava por vir e na calada da noite com "todos" dormindo, o Filizola resolve passar creme dental da oral-b no meu cabelo, e não satisfeito, voltou para pegar colgate que é branco e fazer um estrago, mas eu tava esperto e estratégicamente coloquei o carregador do meu notebook no chão para ouvir caso alguém pisasse em falso e dito e feito. Como um assassino sedento por sangue (ta exagerei) abri rapidamente os olhos e num golpe de sagacidade, o Filizola fecha a mão e diz:

 - O Jean, ja é 6:30 cara, seu voo é 07:00 lembre-se
- Ah, valeu mano.


Levantei da cama e fui me arrumar para o primeiro voo do dia e descobri que não era só eu que havia sido "trollado": Daniel "Aracaju" também foi vítima do André, que passou óleo de arnica em seu pescoço e travesseiro e arnica arde que só o caramba e aparentemente ele não gostou muito da brincadeira e ficou um pouco chateado, mas apenas pela manhã, logo de tarde estávamos todos curtindo um com a cara do outro como velhos amigos.

O Gaúcho chegou um pouco atrasado e já fomos abrindo as pesadas portas do hangar e tirando o A122B lá de dentro, na inspeção externa constatei algumas "rachaduras" na raiz da asa direita, mas que depois descobri que era apenas a pintura que estava endurecida e estava rachando. Já no acionamento após pressionar o botão de partida o KBP fez um barulho esquisito e nem a hélice rodou, mas após nova tentativa lá iamos nós para o táxi, PORÉM... antes de passar pra parte de asfalto eu olho pra minha asa esquerda e vejo que tinha deixado a capa do tubo de pitot em cima da asa ¬¬. Parei o taxi e com o motor acionado fui pegar a capa que eu tinha esquecido em cima da asa, coisa rápida e fomos taxiando até a cabeceira 29.

"Perna do vento livre, base livre, final e curta final livre, pista livre e oposta livre" Manete a pleno, corrida normal mantendo o eixo da pista, e suavemente "cabro" o manche na velocidade de 65MPH para começar a missão AP-06 que consiste apenas em aproximações de 90°, 180° e 360° (Que eu já faço com facilidade) Antes eu usava uma referência para iniciar o 360 que era uma antena de sinal de celular, mas depois que eu peguei o jeito já estou dispensando, pois a referência pode variar muito de acordo com o regime de potência que você ta mantendo, ou a direção e/ou intensidade do vento, percebi isso pois na primeira tentativa eu cheguei um pouco alto e precisamos glissar para perder rapidamente esse excesso e aplicando full flape e mesmo assim só toquei depois da interseção, mas me aproveitando do bom motor do KBP arremeti com muita facilidade e obtive quase 1100 pés por minuto de razão de subida (o que é uma ÓTIMA razão de subida e porque não dizer rara...)

Ouvimos na fonia que uma aeronave lá pelas bandas de Anápolis estava em pane, porém alguns minutos depois foi resolvida, parecia um Seneca, continuamos nosso voo e o melhor pouso, foi o penúltimo onde até o Gaúcho elogiou dizendo que eu tinha caprichado nesse (Os pneus e amortecedores do KBP agradecem) e fomos pro pouso final onde o Filizola já estava arrumado e esperando o meu desembarque pro seu voo, entreguei a chave na mão dele e chegou o Alessandro, conversamos e depois novamente o Diego Pablo aparece para continuar sua jornada.

A tarde foi tranquila, chegou o Emidio e uma aluna nova, a Taís, que fez seu primeiro voo e eu junto com o Filizola fomos filmar sua primeira decolagem e seu primeiro pouso, depois da excelente instrução de inspeção externa que o Filizola deu pra ela, pois ele é bem cauteloso na hora de "dar a voltinha".

Ficamos até o por do sol onde pela primeira vez na minha vida vi uma nuvem "Mamatus"



Que é uma nuvem rara que tem o formato de uma mama por isso o nome Mamatus e está associada com CB, e realmente, haviam umas ao redor de SWUZ especificamente no setor norte e o Emidio estava fazendo o último voo do dia, acho que até tiramos fotos da nuvem, vou ver aqui depois com o André.

Sei que o dia foi maravilhoso e como eu disse pro Diego Pablo assistindo uma aproximação do Emidio com um espetacular por do sol ao fundo:

"Eu não me arrependo de ter começado a pilotar avião antes de dirigir carro de maneira nenhuma"

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O primeiro voo de dois amigos, duas horas de voo no mesmo dia e Pitts voando na minha ala

Não adianta, cada voo que acontece, cada experiência nova, cada amizade que cultivamos, me faz ficar ainda mais viciado nessa coisa toda. E garanto que não é só eu que tenho essa impressão, assim como no meu primeiro voo, o "F" (Vamos chamar ele assim) estava pior ainda! Não conseguia pegar no sono, acordava no meio da noite pra ver se o celular estava devidamente ajustado para despertar no horário para acordar e se arrumar.

Ele fez questão de que eu fosse prestigiar, faltei uma aula no cursinho pra ir ver de perto a alegria e euforia deste rapaz, que não parava de ficar lembrando os itens do check pré-pouso do Uirapuru. Nos encontramos na estação concessionárias do metrô.



Logo após a chegada dele, já pegamos a estrada rumo ao aeródromo as 7:00 da manhã pois o voo dele seria as 9:00, chegando lá encontramos o Bertolo, que também ia voar nesse dia as 15:30, e fomos acompanhar o grande momento do "F" e acompanhamos a inspeção enquanto o Kadu ia explicando a maneira de fazer o check externo.

Chegou o grande momento, o acionamento do motor de 160 cavalos de potência, eu e o Bertolo estávamos em frente ao hangar do aeroclube para assistir e lá foi ele pro taxi. Eu e o Bertolo fomos ficar esperando a rolagem lá ao lado da interseção central enquanto conversávamos sobre as diferenças entre o A122B e o T-23 (que a maioria acha que é a mesma coisa, mas não é!)

De repente ouço o roncar do motor no regime de decolagem, iniciando a rolagem pela cabeceira 29 e saco a câmera que o "F" deixou no meu bolso pronto para a filmagem da primeira vez em que o "F" vai tirar os pés do chão, deve estar com um sorriso de orelha a orelha pensei eu. Logo após a decolagem, reparamos que o KBP deu uma cambaleada baixando a asa esquerda e perdendo um pouco de altura, mas foi só um "desequilíbrio" e lá vai ele fazer o primeiro voo que sempre é inesquecível.

Já eu e o Bertolo voltamos pra lanchonete e pegamos o rádio da secretaria emprestado para ouvir os reportes de posição, prontos para voltar pro cantinho da interseção pra filmar o primeiro pouso. Encontrei um colega da minha sala da faculdade que também foi assistir o voo do "F" e ouvimos no rádio:

"Coordenação Luziânia, o KBP proveniente do setor nordeste vai ingressar na perna do vento para pouso final na cabeceira 29."

E lá fomos nós pro cantinho da interseção pra filmar a volta ao solo, no caminho percebemos que o "F" demorou um pouco pra fazer a curva da base para a final, mas lá vem ele, arredondou e que toque maravilhoso. Provavelmente deve ter sido o "F" com o auxílio do Kadu.

E por um maravilhoso acaso, logo após o voo do "F" já estava sendo preparado um churrascão do voo de check de um rapaz, olha que bacana, o primeiro voo de um aluno e o voo check de outro no mesmo dia! Como não poderia deixar de ser, fomos aproveitar hehe



Daí chegaram vários amigos, o Vinycius, que iria voar ás 10:00 porém não conseguiu nesse horário, o Emídio que ta fazendo Ciências aeronáuticas na PUC - GO e o Brian e sua esposa Patrícia e já fomos juntar duas mesas pra curtir o churrascão. E para a minha surpresa e contentamento surgiu um horário vago que eu pudesse marcar, eu que ia num casamento e já não perdi tempo, marquei o horário das 15:30 pra mim.

O Vinycius foi voar as 14:00 e logo após a chegada dele eu e o Bertolo fomos fazer as nossas inspeções, ele no KBP e eu no KBU, o meu instrutor do dia seria o Leonaldo, nunca havia voado com ele, mas gostei muito por ele ser bem "padrão" eu sinceramente me senti numa cabine de um jato, pois toda hora estávamos "brifando" um ao outro, revezando na fonia e etc. Porém cometi uma gafe na fonia antes de alinhar:

"Coordenação Luziânia, o KBP alinha e decola de imediato da cabeceira 29"

Logo o instrutor e o Gaúcho que tava no KBP me corrigiram falando que eu tava era no KBU e nao no KBP hehehe. Decolamos da cabeceira 29 e fomos iniciar a missão AP-03 e fomos fazer uma aproximação de cada vez, se eu fosse boa na de 90° eu passaria pra de 180° se fosse bem na de 180° passaria pra app de 360°.

Já de primeira acertei a de 90°, após um belo toque, manete a pleno, reconfiguração da aeronave e a arremetida e na arremetida percebi que dessa vez era o "F" que tava no cantinho da interseção com o Emídio filmando os TGL ( Muito obrigado meus amigos ) e na perna do vento cruzando o través da cabeceira, comando "power off" e inicio a curva em descida planada mantendo 90 mph, cabeceira aproximando percebo um senhor de bicicleta cruzando a mesma, porém logo depois percebi que era o funcionário do aeroclube. Garantido o pouso, comando o primeiro dente de flape observo a velocidade e a minha rampa e comando o segundo, aeronave controlada, arredondamento e o toque suave com o comentário : "Que pousão hein cmte!!" . Me senti uma garota sendo elogiada pelo cabelo liso...hahaha, manete a pleno e vamos iniciar a de 360°

Dessa vez estava tranquilo de fazer, da outra vez entramos dentro de uma nuvem e não deu pra eu executar, sendo que o Brian executou pra me mostrar, como vocês viram no vídeo que eu coloquei no post anterior. Enquanto subíamos para 4800' o Leonaldo me mostrou um ponto de referência "batata" pra comandar "power off" e iniciar a curva : Uma antena de celular!! Quando a ponta da asa direita "encostasse" na referência, POWER OFF AND LET´S GO!!!! Saiu um pouco alto, mas nada demais, pouso garantido e arremetemos mais uma vez. Fizemos mais umas 4 vezese fomos pro pouso final.

No debriefing fiquei contente pois o instrutor me falou que eu tava voando muito! Porém na minha ficha está registrado que eu estava meio "ansioso e apressado" pra fazer as curvas mais rápidas e inclinadas e a fraseologia, porque cometi o erro de não falar PP-KBU na primeira comunicação, pois eu só falei direto:

"Coordenação Luziânia o KBU acionado no pátio principal, no taxi até o ponto de espera da cabeceira 29 de Luziânia".

Tudo certo fui pra meu lugar na mesa e peguei mais algumas carnes e refrigerantes, quando o Brian de repente me chama pra voar de novo. Tinha outro horário livre, dessa vez no KBP e logo com ele que nem tinha ido pra dar instrução. E lá fui eu novamente fazer a inspeção no KBP e o Emídio, que tinha conseguido seu horário foi receber o briefing com o Leonaldo de como fazer a inspeção externa no KBU pois seria o primeiro voo dele também.

Acionamos e no taxi pra 29 o Brian por ter comido bastante resolveu "soltar um pouco das energias contidas no estomago" e fedeu o canopi apertado inteiro do KBP e assim como o procedimento de cortar a mistura imediatamente após um pouso de emergência, eu com a mesma agilidade abri o canopi pra arejar o ar porque poxa...brincadeira hein Brian hahaha

Decolamos e dessa vez só iriamos fazer 360° pra fixar de vez, porém não foi a mesma coisa, a performance do KBP é bem diferente da perfomance do KBU. Algumas das aproximações tivemos que glissar e não usar o ponto de referência que eu tinha acabado de aprender.

De repente na perna do vento a surpresa: O Cmte Bruno que tem um Pitts S1S special ( Um biplano acrobático ) decola da 29 e com seu motorzaço de 380 hp já comanda nariz pro alto e faz um lindo hammerhead



E inicia seu treinamento acrobático para o delírio das pessoas que estavam em solo, só que... eu e o Brian estávamos voando né? Sim! E tivemos o prazer de assistir um belíssimo show aéreo do alto, visão privilegiada não? Claro, sem deixar a atenção com as outras aeronaves ao redor, que por um acaso, Luziânia estava bem movimentado.

Mas as surpresas não acabaram por ai não! De repente ouço no rádio que ele ia se aproximar um pouco da gente e quando olho pra trás. ELE ESTÁ NA MINHA ALA, VOANDO BEM ATRÁS DA MINHA ASA DIREITA, eu e o Brian ficamos eufóricos dentro da cabine, ele já sacou seu celular que tem uma câmera excelente e deixou o controle do KBP comigo enquanto ele filmava. Meu "Crosscheck" estava baseado em : Velocímetro > Proa > Pitts > Altímetro > Climb > Proa > Pitts. Não sei como não me deu torcicolo de ficar girando a cabeça toda hora. E claro, compartilho com vocês o vídeo dos instantes de voo em formação com uma linda saída. ( VEJA EM HD E EM TELA CHEIA )


Untitled from Jean Moreira on Vimeo.

Após o pouso do Pitts, comentei com o Brian que faria questão de ir no hangar cumprimentar o piloto do Pitts e ele logo chamou ele no rádio e anunciou que nós estaríamos dando uma passadinha lá. Logo após o pouso dele pousamos atrás e fomos até o hangar dele e fomos muitíssimo bem recebidos. Mostramos este vídeo pra eles e alguns já pegaram suas cópias em alta definição, ficamos mais um tempo conversando e a Patrícia chegou pra buscar o Brian que deu carona pra mim e o Emídio, já o "F" ficou no alojamento junto com o Bertolo pois teria um voo no outro dia, no mesmo horário.

E depois de tudo isso, concluo que, não fiz escolha melhor do que essa pra minha vida, pode ser difícil, pode ser caro, mas aos poucos vamos caminhando pra chegar lá! Obrigado Brian, por filmar e compartilhar esse momento, sem dúvida alguma você é o instrutor que eu mais gosto de voar, tanto pelas histórias, ensinamentos, como pelas risadas e obrigado Cmte Bruno, pela humildade e habilidade de chegar pertinho e por voarmos juntos por alguns segundos em ala, sem dúvida foi muito pra mim, uma grande experiência que nunca mais vou esquecer!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Aproximações de 360 e indo pra Goiânia IFR no Corisco

Hoje sim tenho bastante história pra contar, acho que depois de ontem, vou marcar meus voos apenas para o primeiro horário do domingo ás 7:30, o voo rende mais, fora que você tem a possibilidade de poder ficar lá no aeroclube passando o tempo e jogando conversa fora. Fui para mais um pernoite, e chegando no aeroclube encontro João Tércio e o Alessandro, o João devidamente uniformizado e pronto para mais uma "missão" no nosso raro Uirapuru. Já o Alessandro como sempre, ficando lá para passar o tempo. Porém cheguei na hora certa! O Marcos dono daquele RV-10 PT-ZFR (o mesmo que o Athos voou) chegou e fomos dar uma volta nele, tiramos do hangar, espantamos os pombos que haviam lá e dentro e lá fomos nós para um voozinho de aquecimento no setor sul



Marcos, o proprietário no comando e o Alessandro no assento direito, e eu atrás do Alessandro assistindo a instrução. O RV-10 dele é uma máquina, estola com full flape (elétrico) a aprox 65 kt tem GPS, PCAS (como se fosse um TCAS para aviso de tráfego) e vários outros equipamentos, além de ser muito parecido com o Cirrus SR-22, na volta entramos no circuito para uma aproximação de 360° que eu faria pela manhã no zarapa onde o Marcos fez questão de me demonstrar o procedimento em voo.

Consiste no seguinte, você faz o circuito na altitude de tráfego normalmente, porém na perna do vento você sobe 4300 (que é a altitude de tráfego) +500 pés ou seja, manter 4800', girar base, final e na vertical da cabeceira de pouso, reduzir toda a potência e iniciar uma curva de 360 graus até alinhar novamente na final e pousar sem motor (geralmente se dá uma "rajada" pra não esfriar demais)

Depois do toque suave, arremetemos para um pouso completo com full flape.

Agradeci e fui para o alojamento, encontrei com meu amigo e colega de quarto André Gontijo

     (Preciso tirar a barba...eu sei)

Depois do por do sol, resolvi demonstrar pra ele um pouco de treinamento de fonia na rede IVAO, conhecemos um controlador muito bom, o Wilson Bazana que foi paciente tanto comigo, quanto com o André que revezava a fonia comigo, e quando lá em Campo Grande estava vazio, começamos a conversar e ele foi me fazendo perguntas sobre as "aproximações de 90/180/360" e prometi fazer um vídeo e enviá-lo assim que possível.

Depois bateu aquela fome...e fomos dar uma volta para achar uma lanchonete ás 22:40 da noite, andando no pátio escuro pra sair lá na guarita de entrada, onde o vigia gente fina, tinha o controle do portão de entrada



Fomos na Subway comer os famosos sanduíches naturais compridos, depois comprar um refresco numa pizzaria e logo depois de buscarmos o notebook do André que infelizmente deu perda total, voltamos para SWUZ debaixo de chuva.

Logo no outro dia, acordo com um aluno que entrou no alojamento pra me chamar, e avisar que ja era 7:40, pulei da cama, coloquei a "farda" lavei o rosto e devido ao meu cabelo estar dormindo ainda coloquei um boné por cima e vi o Brian em cima da asa me esperando já.

Fiz uma externa rápida, o Brian acionou pra mim e fomos para o táxi logo atrás do Gaúcho com o aluno que me acordou, cheque de motor no ponto de espera, alinhamos após a decolagem do PP-KBP e alinhei o KBU na decolagem e entreguei a câmera do André para o Brian que já foi ligando a camera e gravando as melhores tomadas.

Estava nublado, porém haveriam apenas aproximações, começamos de cara com uma de 180, mas eu tava enferrujado no KBU, havia meses que eu não voava o T-23 de tão acostumado que eu tava com o A122B, mas o Brian foi me demonstrando as diferenças e me avisando de coisas como a cauda, que a do KBU é mais pesada que a do KBP, enquanto isso o teto ia baixando e fomos fazer uma de 360, subimos para 4800' porém no caminho havia uma nuvem, havia uma nuvem no meio do caminho, e entramos por alguns segundos "IFR" e eu digo...a experiência não é muito boa não pra uma aeronave que só opera VFR não rsrs, cortei a potência e desci em espiral em busca da reta final. Logo depois disso, mais alguns toques e arremetidas e fomos para o pouso final feito pelo Brian (êêê menino viciado haha)

E aqui está o vídeo que eu fiz dessa "missão"




Muitas risadas, debriefing concluído e resolvi ficar por lá mesmo, afinal, o que eu iria fazer em casa no domingo? e foi uma ótima idéia, pois logo quase que no final da tarde quando eu já estava indo embora, o Brian me chama pra ir pra Goiânia no Corisco (PT-NUG) para fazer um apenas um toque e arremetida e retornar pra Luziania



O Brian no assento esquerdo, o Gaúcho no direito e eu e o André atrás, decolamos e eles fizeram via rádio um plano IFR, mantendo 6000 pés na ida e 7000 pés na volta, sintonizaram o VOR de Luziania que eu pensei que nao estava funcionando e também o ADF que também está operando, fizemos esse voo numa velocidade de cruzeiro de aproximadamente 130 nós de velocidade em relação ao solo (GS) e mais ou menos 120 nós de velocidade indicada (aprox 238KM/H). No caminho muitas nuvens, turbulência e chuva, mas logo que chegamos em Goiânia, estava visual, fizemos a aproximação VOR/DME 32 e ajudei a cronometrar o tempo das curvas no procedimento (sim os segmentos da carta devem ser cronometrados)

Final da 32, de acordo com as luzes do PAPI (Precision Approach and Path Information) que é um indicador de rampa, o Brian fez um pouso laaaaaaaambidaço e arremetemos, passei em cima do bairro da minha irmã, até identifiquei o supermercado que da última vez que estava na casa dela fizemos algumas compras, e retornamos com proa de Luziânia. Na volta, muita conversa e risada descontraída, chegamos em Luziânia, o Brian tocou e arremeteu e passou o comando para o Gaúcho, que fez o pouso final.

Guardamos o NUG no hangar, encontramos a Diná e seu marido que fez uma demonstração do seu helicóptero de controle remoto, e o Brian me deu carona até a rodoviária, pra pegar o bus de sempre...

Até a volta pessoal!!